Reflexões compartilhadas

Você está convidado a visitar esta forma de compartilhar um pouco do meu pensamento. Volte sempre que quiser, e não deixe de declarar suas concordâncias e discordâncias, com relação aos meus pontos de vista.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Visita Centro Histórico FIAT

Nesta manha do segundo dia da programação oficial, o grupo de congressistas realizou visitas técnicas em organizações de relevância no cenário nacional italiano e internacional. Um dos destinos foi o museu histórico da FIAT, onde os congressistas puderam acompanhar um pouco da história daquela grande instituição, ver os primeiros veículos produzidos, e até mesmo tomar conhecimento de que a FIAT produzia turbina de aviões, e até mesmo geladeiras e fogões para os seus funcionários. Também é possível se ver de perto os principais modelos que foram criados pela industria.

Turbina produzida pela indústria, apresentada pela guia

Um dos aviões existentes no museu, que utilizavam as turbinas produzidas pela FIAT

Vista parcial dos carros do museu

O grupo que compareceu nesta visita técnica

Domenico de Masi

Muitas vezes quando conhecemos pessoamente uma personalidade pública, um grande autor, ou um grande conferencista, temos uma forte decepção. Por vezes a pessoa faz na prática coisas muito diferentes do que costuma dizer em suas palestras ou em seus livros. Muitas vezes percebe-se um descolamento entre a prática do dia a dia da pessoa, e o que ela prega que deveria ser feito.
Pois conhecer Domenico de Masi e poder conviver durante um dia inteiro com ele, conversando, trocando idéias, seja num bate papo de cafezinho ou nos momentos anteriores ao painel que ia apresentar, se mostrou na verdade apenas mais uma oportunidade para confirmar que ele realiza na prática aquilo que ele defende. Seus pontos de vista, seu jeito direto, mas ao mesmo tempo simpático parece ser realmente uma característica pessoal. Domenico transpirou a simplicidade dos grandes homens e encantou a todos com a forma como conduziu sua palestra do painel em que participou. Mesmo que não se concorde com todas as idéias apresentadas por ele, a forma como as colocou, e a demonstração da importância dos pontos, faz com que as pessoas o ouçam, reflitam e por vezes revejam seu pensamento sobra a vida, prioridades e outras tantas coisas.
Com certeza a oportunidade de conhecer pessoalmente este magnífico pensador valeu todo o esforço de organização, todo o stress pré e durante o evento.
Trata-se de um ser humano, com H maiúsculo.

Foto com Domênico de Masi, no evento.

Abertura do Congresso Mundial e Forum Internacional de Administracao

Com informações do site do CONSUMIDOR RS, que está aqui conosco cobrindo o evento, apresento as primeiras novidades. (http://www.consumidorrs.com.br/rs2/inicial.php?imgm=n&case=2&idnot=18414)


Abertura oficial do VII Congresso Mundial de Administração e XII FIA, em Torino, Itália
Novas propostas para o 'O Mundo do Trabalho: Uma Visão Prospectiva da Administração'

Na última segunda (11.10), ocorreu a abertura oficial do VII Congresso Mundial de Administração e XII Fórum Internacional de Administração (FIA), com o tema “O Mundo do Trabalho: Uma Visão Prospectiva da Administração”. Participaram da mesa de abertura o Econ. Antonio Graziosi, Diretor de Formação do Centro Internacional de Formação da Organização Internacional do Trabalho - CIF/OIT, Itália; o Lic. Oscar Mena Redondo, Presidente da Organização Latinoamericana de Administração – OLA, Costa Rica; o Prof. Dr. Sergio Bortolani, Presidente da Facoltà di Economia - Università Degli Studi di Torino, Itália; o Adm. Sebastião Luiz de Mello, Presidente do Conselho Federal de Administração - CFA, Brasil; a Adm. Cláudia Stadtlober, Presidente do Conselho de Administração do Rio Grande do Sul – CRA-RS, Brasil.
Segundo Sergio Bortolani, a Faculdade de Torino é a mais antiga da Europa, sendo fundada em 1404. O interesse na promoção do Congresso recai no fato da participação da Universidade no processo de Bologna, que permitirá um acesso diferenciado no mercado de trabalho. Para tanto, a Faculdade de Economia da Universidade de Torino oferece uma série de ações e promove parcerias com diversos países, incluindo o Brasil e a Argentina, na América Latina. “Tenho certeza que o Congresso, dedicado a um tema central para a economia como um todo, irá enriquecer nossos conhecimentos e dará respostas concretas para enfrentar esse grande problema em nível mundial, que é o trabalho”.
Acrescentando a questão, Sebastião Luiz de Mello comentou que, neste ano, o Congresso visa trazer uma nova perspectiva para o Mundo do Trabalho. Nesse sentido, é necessário exigir que as empresas eliminem de suas práticas o trabalho escravo, bem como o trabalho infantil, práticas que prejudicam o desenvolvimento sustentável. O assedio moral é outra prática que necessita ser discutida. Muitos países possuem legislações antigas, que necessitam de reformulações. A desaceleração da economia mundial pode ocasionar uma crise nos países do G-20. No entanto, o crescimento atual não será suficiente para suplantar a necessidade dos empregos necessários. Dessa forma, a geração de empregos não é suficiente, é preciso ir mais além e construir um trabalho de modo decente. “Esperamos que os administradores possam refletir e repensar as relações de trabalho”, pontou.
Cláudia Stadtlober referiu que o Congresso oferece aos participantes temas emergentes, relevantes, no contexto do trabalho, trazendo um contexto de construções dialéticas de grande valia em mundo que certezas já não existem, que exige uma contínua aprendizagem a fim de oferecer a busca de novas práticas. Assim, os temas tratados no Congresso foram definidos para trazer inquietação, que poderá levar ao movimento e às transformações, gerando uma Administração mais sólida e dirigida a organizações eficazes.
Wagner Siqueira abordou que é necessário levar as pessoas a interpretarem e agirem. Uma visão mais atenta da história revela que as teorias das organizações são restritas e estreitas para comportar as várias formas de trabalho e de mercado existentes na atualidade. Tais teorias não podem ser re-editadas, repetidas, sendo importante e urgente encontrar novos rumos e caminhos. Como ferramentas, prestaram, prestam e prestarão ainda por muito tempo. Contudo, o significado humano está muito acima de valores apregoados por essas teorias. Em certa medida, essas teorias são eticamente incorretas ao priorizarem os aspectos financeiros em detrimento dos humanos, sendo necessário re-editar a ética subjacente a essas teorias. Assim, o Congresso vem a apresentar um repensar das teorias que embasaram historicamente os processos de trabalho.
De acordo com Oscar Mesa Redondo, os integrantes da Organização Latinoamericana de Administração sonham com eventos dessa natureza, que fortalecem o papel central do administrador. Pois, acreditam que o administrador deva participar, direta e indiretamente, das economias das organizações. Além disso, os administradores devem atuar como um agente de transformação, compartilhando a formação das organizações. “As organizações e as economias avançam de forma tecnológica, econômica e financeira. Por isso, as políticas econômicas, ambientais e tecnológicas precisam de novos modelos e novas formas de direções. Para isso, o Mundo do Trabalho deve estar diariamente em discussão. Todos os países latinoamericanos devem trabalhar em conjunto”.
Finalizando a abertura oficial do Congresso e iniciando com a conferência “A Geração de Trabalho Decente x Crescimento Econômico Sustentável”, o conceito de trabalho decente foi comentado por Antonio Graziosi. Segundo o especialista, o termo foi criado recentemente pela OIT e ainda é pouco difundido. Por isso, torna-se necessário uma maior difusão do tema no âmbito das organizações, espaço oportunizado pelo Congresso. O objetivo da OIT, tendo como agenda o trabalho decente, é desenvolver oportunidades para que homens e mulheres possam manter um trabalho produtivo e de qualidade, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana.
Mediante a esse enfoque, Graziosi comentou que a OIT compreende como trabalho de qualidade aquele que o trabalhador tenha proteção enquanto trabalhe e quando saia do trabalho. Com esse enfoque, a OIT possui uma estruturação tripartite, na qual representantes governamentais, empregadores e entidades representantes dos trabalhadores participam de igual modo, na prerrogativa de que as melhorias sociais no âmbito do trabalho são resultados de consensos entre esses diferentes atores. Dessa forma, a OIT promove recomendações, geradas no consenso entre os atores representantes, que são diretrizes para os países membros. Nesse enfoque, a OIT, atualmente, busca a promoção do trabalho decente no contexto da globalização.
Graziosi assim alertou que o trabalho “menos ético” pode gerar lucros imediatos, mas que é importante que se observe que essa forma de trabalho poderá inviabilizar o crescimento econômico e financeiro mundial e dos países em longo prazo, pois é o trabalho que propicia que as famílias possam sair da pobreza e pode gerar o crescimento sustentável dos Estados. “A mensagem da OIT é que a política econômica para ser sustentável tem que conciliar a política econômica e a política social, tem que ser especificamente dirigida à criação de políticas em prol do emprego através do aumento do número de empregos e de investimentos através das políticas fiscais, distributivas e monetárias”, afirmou.
Percebe-se, portanto, que o Congresso desponta-se como um palco para a discussão de novos modelos para o Mundo do Trabalho, priorizando o trabalho decente como uma de suas prerrogativas. A noção que permeia essas discussões é que o crescimento econômico futuro, para que possa ser sustentável após a crise que rege as economias mundiais, deve ser construído com base na proteção ao trabalho e ao trabalhador em suas dimensões sociais. A preocupação que desponta, seja por parte da OIT ou dos Conselhos de Administração que promoveram o Congresso, é a solidificação de novos parâmetros econômico-financeiros para os mercados globalizados, priorizando as políticas sociais como base para a aquisição de economias locais sustentáveis.
Antes da abertura oficial, na parte da manhã, os participantes do Congresso tiveram a oportunidade de realizar um tour para conhecer a cidade de Torino, Itália, onde ocorre a primeira parte do Congresso. Confira, abaixo, fotos da cidade de Torino. 

sábado, 8 de outubro de 2011

Tudo pronto para o Congresso

Estou aqui em Turim desde sexta-feira, dia 7 de outubro. Logo na chegada já foram sendo feitas reuniões com os principais fornecedores locais, onde ainda restavam definições a serem feitas, bem como com a parte da equipe que já estava aqui, em especial as pessoas ligadas a operadora de transporte, logística e turismo. Finalizando, uma visita a Villa Sassi, local onde será realizado o jantar especial de encerramento no dia 12 de outubro, aliás, maravilhoso. Com certeza vai permitir um jantar memorável.
Com a Universidade, reunião para repassar todos os pontos e verificar pequenos detalhes que serão necessários ajustar. Detalhes de cerimonial, entrada de pessoas, funcionamento das atividades paralelas.
Agora, 22h 15 min hora de Turim, a maior parte dos congressistas que vem do Brasil já estão sobrevoando o oceano em diração a Milão, e posteriormente a Turim. Trata-se justamente daquele momento onde nada mais resta a fazer, a não ser lembrar a famosa frase de Julio Cesar "Alea jacta est", e saber que a sorte está lançada.
Amanha pela manha estarei me deslocando para Milão para auxiliar na recepção dos 200 brasileiros que estão chegando provenientes de 24 estados do nosso Brasil.
Agora é trabalhar e aproveitar o congresso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

De volta

Apos o nascimento do meu filho, Gabriel Lucas, a agenda ficou ainda mais complicada do que já era, e o blog ficou um pouco parado. Mais ainda quando ele ficou doente com pouco mais de 50 dias de vida.
Mas agora as coisas estão um pouco mais organizadas, e o blog voltará a ativa. E a partir de amanha haverá notícias sobre o VII Congresso Mundial e XII Forum Internacional de Administração - http://www.mundialdeadministracao-fia.com.br/ que se inicia domingo, em Turim e depois em Genebra. Já estou em deslocamento para a Itália.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Mais uma das companhias aereas

            As companhias aéreas não param de me surpreender, aqui no Brasil. Lamentavelmente em sua maioria das vezes por razões que acabam deixando uma impressão negativa. Nesta minha mais recente viagem para Brasília, percorri todos os trechos viajando de Gol. Já na saída uma surpresa desagradável. Tive de acordar as 5 e maia da manhã para pegar um vôo que sairia as 7 e 20. Isso não teria me irritado muito, pois é algo que normalmente tenho de fazer quando viajo. O que foi extremamente irritante foi justamente o fato de que o meu vôo saiu do aeroporto de Porto Alegre por volta de 10 e meia da manhã. Alguns poderiam dizer que é normal no inverno gaúcho os vôos não poderem decolar no início da manhã em função do nevoeiro. Verdade. Mas neste caso, as condições meteorológicas nada tinham a ver com o impedimento do meu avião decolar.
            Inacreditavelmente, a razão era muito mais prosaica. A falta de tripulação. Sim. O avião estava no pátio do aeroporto estacionado, os passageiros todos na sala de embarque aguardando civilizadamente pelo seu horário. Entretanto, onde estava a tripulação ? Presa em São Paulo, pois por alguma razão misteriosa, o sistema da Gol ficou fora do ar por boa parte da manha daquele dia, e nada decolou de Congonhas. Assim, a tripulação não chegou a Porto Alegre e o avião não podia decolar. E tripulação reserva, ou remanejo de tripulantes para utilizar-se daquele equipamento parado tal qual uma estátua pós-moderna no aeroporto ? Que nada, isso seria um luxo dispendioso demais. Resultado desta surpresa foi que acabei perdendo parte dos compromissos que tinha na manhã daquele dia.
            Mas resolvidas estas questões, e eu retornando para Porto Alegre a partir de Brasília tive a felicidade de ser presenteado com o que ? Mais um atraso de uma hora, claro, na saída do vôo da Gol. Razão ? Sabe-se lá. Talvez vontade divina. Talvez diletantismo dos pilotos ou tripulantes, ou quem sabe vôo de urubus perto da pista. Lamentável. Para completar a minha (má) percepção dos resultados deste vôo, no meio do mesmo, após o término do serviço de bordo  usual, aqueles amendoins maravilhosos, ou a magnífica barra de cereal, os passageiros são informados de que poderiam optar por um cardápio alternativo que já há alguns meses está disponível em alguns dos vôos da Gol. 
         Seria interessante, certamente auxiliaria meu estômago a ficar mais confortável e provavelmente reduziria minha percepção negativa para com a companhia neste dia. Entretanto dois fatores me impediram de ficar satisfeito com este magnífico novo serviço. O primeiro é que os sanduíches oferecidos são todos frios, o que para mim afasta o atrativo dos mesmos imediatamente. Mas mesmo que a fome falasse mais alto e eu resolvesse provar o sanduíche, existe um pequeno segundo detalhe. O pagamento somente pode ser feito em reais. Nada de cartões de crédito, nem de débito. Ah sim, outro pequeno porém. O passageiro tem que levar o valor EXATO do seu sanduíche na carteira, pois os comissários de bordo não tem troco para disponibilizar. Maravilhoso ! Com um serviço de tal qualidade e tão inovador, realmente os passageiros vão ficar cada vez mais satisfeitos com as suas companhias aéreas. Saudades das asas cuidadosas da Varig.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

As empresas aéreas do Brasil

É verdade que já faz tempo que não temos no Brasil uma empresa aérea com a grife, a respeitabilidade, a reputação e o reconhecimento que a antiga VARIG tinha. A antiga mesmo, porque a VARIG que estava voando antes do encerramento das suas atividades não era a mesma coisa. Tive oportunidade de viajar muitas vezes pela VARIG em seus aureos tempos, tempos estes de talheres de prata nas refeições a bordo, algo inimaginável nos vôos domésticos dos dias de hoje. Mas ela sofreu a decadência imposta àquelas gigantes empresas que acabam não ajustando os seus processos de gestão, e não se reorganizam em função das novas tendências mundiais.
E quem é a sucessora da VARIG ? Podemos dizer que nenhuma, pois ela é inigualável, e sua marca no tempo permanecerá para sempre como benchmark para todos nós. Talvez. E acredito que hoje não temos no Brasil, de fato, uma empresa aérea que remotamente lembre o que um dia foi esta potência aérea gaúcha,
Entretanto, em função de minhas atividades profissionais, venho tendo oportunidade de viajar nas principais empresas aéreas brasileiras da atualidade. Posso comparar os serviços destas empresas, os aviões utilizados, o espaço entre assentos, e a pontualidade.
Quando se pensa numa avaliação geral, o primeiro ponto negativo fica para a Gol. Lembro dos primeiros vôos dela, com um atendimento de fato diferenciado, com os funcionários de brilho nos olhos, e com uma informalidade que deixava a viagem de avião mais natural. Mas tudo isso se foi. Hoje, ela é uma empresa aérea como qualquer outra, semelhante a TAM, com seus pontos positivos e negativos. A TAM ainda oferece em alguns de seus vôos domésticos uma alimentação um pouco melhor, o que pode ser bom, apesar de sabermos que qualquer comida de bordo não pode ser comparada a uma refeição decente.
Mas a surpresa que chegou, para mim foi a Azul. Empresa que chegou com a experiência de seu fundador, que já teve outros vôos em companhias aéreas do norte do continente, e que com seus erros e acertos, trouxe de fato um modelo diferente para o nosso país. Aviões modernos, com um espaçamento de assentos muito bom, que torna a viagem bastante confortável. Também com um atendimento muito bom, e com funcionários diferenciados, no que se refere a relação com os clientes.
Talvez, se a Azul tivesse seu Hub no Rio de Janeiro, como chegou a  cogitar, já tivesse dominado uma fatia maior de mercado do que conseguiu até agora. Mas não tem tempo para crescer. E espero que possa fazer isso de forma gradual, consistente, e que ao crescer não se torne novamente apenas mais uma companhia aérea no Brasil, mas que continue mantendo o padrão de qualidade e atendimento que vem tendo nos dias de hoje.
O Brasil precisa de uma empresa aérea melhor. Talvez a Azul não seja a sucessora da VARIG, mas com certeza está trazendo algo novo para os ares de nosso país.